Origen da Palavra Gaúcho |
No início, quando toda a atividade se resumia à extração
do couro do gado selvagem, os habitantes do pampa eram
designados como guascas, palavra que significa tira de
couro cru.
Só mais tarde, por volta de 1770, de acordo com o historiador argentino
Emilio Coni, vai aparecer o termo gaudério, aplicado aos "aventureiros
paulistas que desertavam das tropas regulares para se tornarem
coureadores e ladrões de gado".
Considerado pioneiro nas pesquisas sobre o tema, Coni afirma que a
expressão "gaúcho" torna-se corrente nos documentos a partir de 1790
como sinônimo de gaudério e também para designar os ladrões de gado que
atuavam nos dois lados da fronteira.
O pesquisador uruguaio Fernando Assunção informa ter encontrado em 1771
uma correspondência ao governador Vertiz, de Buenos Aires, pedindo
providências contra "alguns gahuchos" que andavam assaltando estâncias e
roubando na região.
Uma coisa é certa: até a metade do século dezenove, o termo gaúcho era
ainda depreciativo, "aplicado aos mestiços de espanhol e português com
as índias guaranis e tapes missioneiras". Saint Hilaire, nos seus
minuciosos apontamentos de 1820, ainda menciona "esses homens sem
religião nem moral, na maioria índios ou mestiços que os portugueses
designavam pelo nome de Garruchos ou Gahuchos".
Quanto à origem da palavra, há muitas divergências. Alguns autores
afirmam que o termo gaúcho vem do Guarani. Significaria "homem que canta
triste", aludindo provavelmente à "cantilena arrastada dos minuanos".
A maioria dos autores rio-grandenses, no entanto, aceita outra
explicação: seria uma corruptela da palavra Huagchu, de origem quêchua,
traduzida por guacho, que significa órfão e designaria os filhos de
índia com branco português ou espanhol, "registrados nos livros de
batismo dos curas missioneiros simplesmente como filho de fulano com uma
china das Missões", de acordo com Augusto Meyer.
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A
Cozinha Gaudéria |
A cozinha gauchesca é rica, variada e desconhecida. O
gaúcho
campeiro é essencialmente um devorador de carne, com pratos
preparados com carne de boi, ovelha, porco e galinha, com exceção
do morador da região litorânea, e evidentemente na Semana Santa,
quando são feitos os pratos à base de peixes, e o gaúcho se tornapescador em rios e lagoas, visto que de quarta-feira em diante,
nesta semana, substitui a carne pelo pescado, retornando às suas
origens alimentares com o tradicional cordeiro assado no Domingo
de Páscoa.
A cozinha gaúcha conta com mais de uma centena de pratos típicos,
sofrendo a influência da colônia alemã e da italiana. Curiosamente,não existe relação com a culinária de origem portuguesa, indígena
ou castelhana.
Apesar de rica e variada, não podemos nos esquecer que este era oalimento do gaúcho de bota, bombacha e cavalo na dura lida campeira.
Hoje, grande parte dos gaúchos trocou o "pingo" pelo automóvel,
o laço do dia a dia pelo esporte no piquete de laçadores, a atividade
de carnear pelo balcão do açougue, e fizemos a terrível descoberta
do colesterol...
Não é o caso de um gaudério como eu, que alço a perna na cadeira
estofada, preparo o meu teclado e rodo o mundo na internet... então
o velho ditado: "Todo excesso é perigoso"... reserve esses quitutes
para os finais de semana, sempre regado ao bom mate.
Para aqueles que já sentem o peso da idade, ou que se emocionam quando
ouvem a música "Veteranos", cuidado, é bom ler também o texto bem
retratado na poesia "Penúltima China" do grande Antônio Augusto
Fagundes, onde em certa estrofe diz: "... e adeus canha do bom
tempo... de cigarro, nem te falo... não mais pular a cavalo,
agüentar uma briga... agora é dor de barriga, pressão alta,
desconforto, míope, vesgo ou torto. Não come churrasco gordo,
nem chega perto do sal, la pucha que no final, o homem, velho animal,
é o mesmo que um burro morto...
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O
que é um CTG |
Os Centros de Tradições Gaúchas ( CTG ) são sociedades sem fins
lucrativos, que buscam divulgar as tradições e o folclore gaúcho.
É um local de integração social dos tradicionalistas.
Nestas entidades, a maioria dos trabalhos é voluntária. Nos
fandangos, almoços e jantares toda a preparação fica a cargo
das famílias dos associados, desde o churrasco até o arroz carreteiro.
Nos CTG's acontece o encontro de gerações, pois
convivem netos, pais e avós. Ali se ensina, se aprende,
se trabalha e se diverte. É o local de fandangos (bailes),
de churrascadas, sarau de prendas, etc.
Esse convívio de gerações ajuda a melhorar o relacionamento entre
pais e filhos, a desenvolver o respeito e também a responsabilidade,
aprender o que é a hospitalidade e a solidariedade e despertar
o civismo e o amor à Pátria.
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Fogo de Chão |
As longas noites de inverno, nas primitivas tribos indígenas
levaram
os nativos a descobrir o "Fogo de Chão". Próximo de suas ocas construíam
locais onde as famílias reuniam-se ao redor do fogo.
As brasas incandescentes eram um verdadeiro convite para o doce
aconchego, quando o frio parecia congelar o ideal, a vida e o próprio
tempo.
As lidas campeiras passaram a ser o tema central, enquanto o chimarrão
corria de mão-em-mão. O "Fogo de Chão" aquecia o sentimento nativo do
mestiço, projetando-se o ideal campeiro do gaúcho e isso foi passado
de geração para geração. Ao redor do "Fogo de Chão", nas rodas de
chimarrão, foram tomadas grandes decisões históricas do Rio Grande do
Sul.
A convivência galponeira é tão tradicional no Rio Grande do Sul, que
numa fazenda chamada Boqueirão em São Sepé, um "Fogo de Chão" é
mantido aceso há mais de duzentos anos. A fazenda Boqueirão fica no
distrito de Vila Block, município de São Sepé a 260 km de
Porto Alegre. O fogo é alimentado por toras de madeira de lei
chamadas guarda-fogo ou lenha de combustão, o que permite que a chama
se mantenha acesa enquanto todos dormem. A história conta que este
fogo foi aceso por um índio charrua ou por um negro escravo e
mantido ao longo do tempo devido inicialmente às dificuldades de se
fazer fogueiras, e, posteriormente como forma de ver-se mantidos os
caprichos do Patrão. A chama acesa arde constantemente num galpão com
estrutura de 1818, tornando-se hoje centro de romarias nativistas e
tradicionalistas.
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O
Laçador |
O Monumento "Laçador" foi criado por Antonio Caringi, inaugurado
em 20/09/1958, no Largo do Bombeiro, em Porto Alegre - RS, tendo por
modelo Paixão Côrtes. Este monumento possui 4,45 metros e está
assentado num pedestal de granito, totalizando 6,55 m e pesando 3,8
toneladas.
João Carlos D'Avila Paixão Côrtes, nasceu em 12/07/1927 em Sant'Ana
do Livramento - RS, é engenheiro agrônomo, mas tornou-se mundialmente
conhecido como estudioso da Tradição Rio-Grandense, com um sem número
de trabalhos aprovados em Congressos Tradicionalistas, sendo o maior
divulgador da tradição gaúcha na América do Sul.
Paixão Côrtes iniciou cedo pesquisas do folclore rio-grandense,
registrando
com gravadores, filmadoras e máquinas fotográficas todo o rico
material da cultura do homem campesino gaúcho. Pesquisa essa que
estendeu-se até peças originais de museus como o Louvre, de Paris,
do Museu do Trajo Português, de Lisboa, Museu do Prado, de Madri,
Museu Militar, da Escócia, Victória and Albert, de Londres, e tantos
outros da América do Sul.
Paixão Côrtes é o se que pode chamar de tradicionalista de primeira
Hora, visto ter sido integrante do "Grupo dos Oito", que fundou
o "35 - CTG" em 1948, que foi o primeiro CTG fundado, originando
daí todo o Movimento Tradicionalista do qual fazemos parte com tanto
orgulho.
É criador dos símbolos da "Chama Crioula", do "Candeeiro Crioulo" e
da "Semana Farroupilha".
Em 1953, fez nascer o famoso conjunto folclórico "Tropeiros da
Tradição", iniciando assim uma nova era profissional na projeção
folclórica das danças e temas nativos. Na área discográfica
atuou em 7 (sete) long-plays cantando, com os quais recebeu prêmios
como, melhor Realização Folclórica Nacional (1962) e melhor Cantor
Masculino do Folclore do Brasil (1964).
Como comunicador, Paixão Côrtes tem mais de 40 anos de dinâmica
atividade, atuando em conceituados programas de rádio Rio-Grandenses,
sendo o criador, com Darcy Fagundes do famoso "Grande Rodeio Coringa"
em 1955, programa esse que reformulou a programação gauchesca de
auditório do Rio Grande. Paixão Côrtes é responsável também pelo
surgimento de "Festa de Galpão"(1953), "Festança da Querência"(1.958),
"Domingo com Paixão Côrtes" e "Querência", estes dois últimos em plena
vigência na rádio Guaíba.
Atuou como consultor de costumes e revisor de texto para a televisão
e cinema. E como ator encarnou o expressivo Pedro Terra no filme
"Um Certo Capitão Rodrigo", dirigido por Anselmo Duarte, baseado no
romance "O Tempo e o Vento" de Érico Veríssimo.
Como bailarino e cantor, Paixão Côrtes viajou oito vezes para a Europa,
atuando na mais famosa casa de espetáculos européia, no Olimpia de
Paris, permanecendo cinco meses na França apresentando nossas danças
folclóricas também nos palcos da Universidade de Sorbonne, Teatro
Mogador, Prefeitura Parisiense e outras casas noturnas.
Atuou também na Alemanha, na "Feira Mundial de Transportes e
Comunicações", em Munique, no "Cassino de Estoril", em Lisboa,
e na "Feira Rural de Santarém", em Portugal.
Em 1986 Paixão Côrtes retornou à Europa, distribuindo na Inglaterra
e Escócia sua obra "The Gaúcho, Dances Costumes, Craftsmanship"
impresso em inglês. Na BBC de Londres apresentou-se cantando e
dançando temas gauchescos, acompanhado pelo conjunto musical
"Os Farrapos" (Disco de Ouro / 1988).
Foi conferencista no Arquipélago Açoriano Português em intercâmbio
cultural entre "Ilhéus" e "Gaúchos".
Cabe ressaltar que Paixão Côrtes não está vinculado a nenhuma
instituição governamental, quer Municipal, Estadual ou Federal,
nem recebe qualquer subvenção de qualquer órgão internacional.
Quis a história que se fizesse justiça a esse gigante do
tradicionalismo, eternizando sua figura no bronze do "Laçador" do
qual foi modelo para o escultor Antonio Caringi, em 1954, imagem
esta escolhida como símbolo de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul.
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A
Mulher Gaúcha |
As épocas são caracterizadas
pelas idéias, as quais geram inúmeros
acontecimentos. Não podemos sequer pensar, que, em
cada período da história interfere uma única
corrente ideológica, pois a evolução social não é
linear.
A história da humanidade constata a
sujeição da mulher em relação ao homem, o que não
anula a existência de mulheres, que se destacaram
naquelas épocas remotas, nos mais diferentes setores
das atividades sociais, muito embora, pouquíssimo se
tenha registrado. Essa é a grande razão da sociedade
falar em machismo & feminismo.
O feminismo, como movimento organizado,
surgiu de fato, na Revolução Francesa e a história
da emancipação da mulher tomou vários rumos.
Atualmente, a mulher abandona, cada vez
mais, o galope dos cavaleiros andantes de um ideal
meio lírico de libertação, vendedor de ilusões, para
posicionar-se lado a lado dos homens na estrada da
grande aventura empregnada de desventuras.
A sociedade rio-grandense tem tradição
machista, pois é originária de uma oligarquia
militarizada, que demarcou fronteiras, através de
lutas e de guerras.
A formação da mulher, desde a mais tenra
idade, é direcionada para cuidar dos afazeres
domésticos, rezar, enquanto aguarda o casamento com
o noivo, que era escolhido pelo pai.
A liderança singular da mulher, como
mola-mestra do lar, não pode ser anulada e tão pouco
esquecida pela sociedade gaúcha, pois sua
participação ativa sempre deteve a estrutura da
família e da sociedade.
Não podemos esquecer, que a mulher sempre
trabalhou nas estâncias, assegurando a economia do
Rio Grande do Sul, enquanto seu pai, esposo e filho
saiu para defender as fronteiras e os ideais
rio-grandenses.
Dentre tantas grandes mulheres, que se
destacaram no cenário Rio-grandense, em defesa das
nossas fronteiras, destacamos a Marquesa de Alegrete:
heroína anônima, nobre pampeana, que em 14 de
janeiro de 1717, na Batalha de Catalan, ao lado do
esposo Marques de Alegrete – Luiz Telles de Caminha
e Menezes e do filho, ajudou a escrever, com sangue
suor e lágrimas, a história das batalhas entre
Portugal e Espanha, servindo como enfermeira, mãe e
até soldado, na demarcação de fronteiras do nosso
pago gaúcho.
A participação da mulher foi de
fundamental importância no contexto da formação
histórica, social e cultural do Rio Grande.
A Revolução Farroupilha colocou a mulher
num encontro ingrato e arriscado com a vida, porém,
por mais ameaçadoras, que se tenham apresentadas as
circunstâncias, ela sempre soube manter-se firme:
quanto mais a situação era adversa, mais a mulher
soube se transformar na forja sagrada das convicções
do herói farroupilha.
A mulher guerreira ficou conhecida por
"vivandeira", a "china de soldado", foi a mulher,
que acompanhou as tropas em seus deslocamentos e
permaneceu nos campos de combate cuidando do
soldado.
A mulher estancieira foi a mulher, que
permaneceu na estância, administrando as lides
campeiras e domésticas, tomando conta do lar, dos
filhos, da estância e cuidando dos negócios do homem
ausente, que rezava pelos vivos e chorava os mortos.
Era, aos olhos de Deus e da sociedade patriarcal – a
mãe, a esposa, a filha – permanecendo em casa,
aguardando ansiosa o desfecho da guerra e o retorno
do guerreiro.
A história também registra a mulher
farroupilha do decênio heróico, que foi a mulher
que, de uma forma ou de outra, figurou na história
oficial do decênio heróico. Dentre elas, citamos
Anita Garibaldi (Ana Maria de Jesus). Mulher
intensamente feminina, ativa, forte de ânimo, de
decisões rápidas, uma exímia cavaleira, que
despertou em Giuseppe Garibaldi um fortíssimo
sentimento, mesmo nos poucos contatos, que tiveram
em Santa Catarina, quando da invasão de Laguna pelas
tropas farroupilhas, além de Maria Josefa da
Fontoura Palmiro, que promovia reuniões políticas em
sua casa, em Porto Alegre, em apoio a Bento
Gonçalves e aos Farrapos, também defendia a
libertação dos escravos e tantas outras.
Muitas foram as heroínas desconhecidas,
que lograram entrar na história, mas nem sequer seu
nome é conhecido, como Caetana, esposa de Bento
Gonçalves da Silva e Elautéria, mulher de Manuel
Antunes da Porciúncula.
Foi neste dificílimo momento, que o valor
da mulher farroupilha foi testado, fazendo com que
seu coração vivenciasse as inúmeras novas
circunstâncias, levando a sujeitar-se às
necessidades, aos infortúnios, mas ela foi
competente em sua função, incansável no desempenho
do seu papel. Encantadora e generosa, companheira,
não se deixou arrastar por convicções derrotistas,
deixando na história um admirável perfil, abrindo
perspectivas esplêndidas de esperança para seu
companheiro, com admiráveis e imprescindíveis
fatores decisivos e determinantes da inacreditável
persistência dos farrapos.
A mulher farroupilha, com seu sentimento
de compreensão e solidariedade, muito auxiliou o
desenvolvimento da semente da República
Rio-grandense, fazendo frutificar, em heroísmo, a
alma da gente farroupilha. Ela soube avaliar e
enfrentar o perigo, não para receá-lo e sim para
combate-lo. Esta foi a mais sublime e valorosa lição
feminina, raramente descrita com a merecida justiça
e homenagem dos pósteros.
A mulher sempre promoveu a mais iluminada
unidade de fé, auxiliou a compor as mais importantes
páginas da história gaúcha, em meio a grande
destruição, acreditou e fez acreditar, que sempre se
salva algo dignificante da vida.
Inúmeras foram as heroínas anônimas, que,
cuidando dos filhos, dos interesses familiares e da
economia do Rio Grande, deram ânimo, apoio e
acreditaram nos anseios farroupilhas.
Voltando o olhar sobre nosso heróico
passado, constatamos que, mesmo durante o dramático
e sangrento decênio farroupilha, o homem nunca
esteve só: a providência divina colocou ao seu lado
uma grande auxiliadora e fiel companheira, que lhe
foi idônea.
Como vive atualmente a mulher gaúcha? Nós
mulheres já paramos para pensar quantas profissões
exercemos ao mesmo tempo? Será que nosso companheiro
e esposo, filhos já imaginaram o que é ser, ao mesmo
tempo, mulher companheira, mulher mãe, mulher
profissional a buscar o seu espaço, mulher
economista, mulher enfermeira a cuidar de seus
filhos e familiares adoentados, mulher psicóloga a
entender, a auxiliar, a dar ânimo ao esposo, ao
filho, frente a situações do cotidiano, mulher
doméstica nos afazeres do lar, mulher cozinheira a
preparar o alimento para a família, mulher
intelectual, mulher social, mulher telefonista,
mulher política, tudo por conta dos inúmeros
afazeres diários? Pois é isso mesmo, na volta das
vinte e quatro horas do dia, uma única mulher exerce
todas as profissões possíveis e imagináveis.
O tradicionalismo prima por preservar,
divulgar e cultuar a tradição gaúcha, ou seja, o
patrimônio sócio-cultural desta sociedade com
tradição machista.
Mas a mulher gaúcha, com sua intuição
feminina de simplicidade, sentimento materno e
inteligência, soube conquistar seu espaço ao lado
daquele que é considerado o "mais machista dentre os
homens".
A mulher tradicionalista está ao lado do
homem tradicionalista a orientar, a administrar e a
planificar o tradicionalismo gaúcho. A mulher tem
contribuído e muito para o engrandecimento e
fortalecimento dos princípios, da filosofia do
tradicionalismo, do cumprir e fazer cumprir seus
Estatuto e Regulamento, suas normas, ao desempenhar
funções como Patrão, Coordenadora Regional,
Conselheira e detentora de outros cargos tão
importantes e decisivos na estrutura organizacional
e administrativa do tradicionalismo gaúcho, no
propagar, divulgar e cultuar a tradição do Rio
Grande.
É bem verdade, que somos uma minoria, mas
por opção da própria mulher e não por imposição do
homem tradicionalista.
Em 1947, surgia a Ronda
Gaúcha e a Chama Crioula, cujos idealizadores foram
homens. Em 1948, eles idealizaram a primeira
entidade tradicionalista do Rio Grande do Sul, que
foi o "35 CTG", em Porto Alegre. Embora tenha
rompido com grande sucesso, a presença feminina foi
mais acanhada. A mulher custou muito a integrar-se.
O grande e
incansável companheiro Cyro Dutra Ferreira, em sua
obra "35 CTG" – O Pioneiro do Movimento
Tradicionalista, faz o seguinte registro: Somente em
junho de 1949, aconteceu a primeira reunião com
moças da sociedade, especialmente convidadas. Dela
participaram: Maria Zulema Paixão Côrtes, Derce
Paixão Côrtes, Suli Dutra Soares, Sarita Dutra
Soares, Lory Meireles Kerpen, Íris Piva, Norma Dutra
Ferreira, Nora Dutra Ferreira, Damásia Medeiros
Steinmetz e Linda Brasil Degrazzia. Na reunião, foi
apresentada e aprovada a proposta da criação da
Invernada das Prendas, tendo sido nomeada como
Posteira Lory Meireles Kerpen. Também foram
convidadas Lia Eilert dos Santos e Cyra Eilert dos
Santos, as quais não obtiveram permissão do "velho",
que queria primeiro ver no que dava a coisa... De
fato e de direito, as irmãs Marilia e Ludemilla
Zarrans são consideradas as primeiras prendas do
movimento, pois, em algumas oportunidades, foram as
duas primeiras colaboradoras do "35". Também é
registrada a presença da menina Verinha Simch
Vieira, que por ser criança, tinha a permissão de
descer para o porão, visto que seu tio Cincha
participava das reuniões.
A transformação política, social,
econômica e tecnológica chegou ao Rio Grande do Sul,
obrigando a mulher gaúcha, a prenda tradicionalista
sair às ruas, em busca de melhores condições de
sobrevivência, porém conservando intacto o seu
sentimento pela tradição gaúcha.
Como mulher partícipe da sociedade gaúcha,
como mulher tradicionalista, como mulher
profissional, mãe, dona de casa, tenho a convicção
de que a mulher conquista tudo que desejar, sem
colocar-se contra o homem, até porque seria um
desperdício, mas colocar-se ao lado dele,
conquistando, com galhardia e absoluto zelo, seu
espaço, sua valorização pessoal e profissional, um
lugar em que não precise falar em machismo &
feminismo, baseado na autenticidade, na participação
conjunta num mundo estruturado no amor e na paz
social.
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Oração do Gaúcho |
Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo;
e
com licença Patrão Celestial.
Vou chegando,
enquanto cevo o amargo de minhas confidências,
porque ao romper da madrugada e ao descambar do sol,
preciso camperear por outras invernadas e repontar do Céu,
a
força e a coragem para o entrevero do dia que passa.
Eu bem sei que qualquer guasca,
bem pilchado,
de faca,
rebenque e esporas,
não se afirma nos arreios da vida,
se não se estriba na proteção do Céu.
Ouve,
Patrão Celeste,
a
oração que te faço ao romper da madrugada
e
ao descambar do sol:
"Tomara que todo mundo seja como
irmão!
Ajuda-me a perdoar as afrontas e
não fazer aos outros o que não quero para mim".
Perdoa-me, Senhor,
porque rengueando pelas canhadas da fraqueza humana,
de quando em vez,
quase sem querer,
eu me solto portera afora...
êta potrilho chucro,
renegado e caborteiro...
mas eu te garanto,
meu Senhor,
quero ser bom e direito!
Ajuda-me,
Virgem Maria,
primeira prenda do Céu.
Socorre-me,
São Pedro,
Capataz da Estância Gaúcha.
Prá fim de conversa,
vou te dizer meu Deus,
mas somente pra ti,
que tua vontade leve a minha de cabresto pra todo o sempre
e
até a querência do Céu.
Amém
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Adágios Gauchescos |
>>Abichornado...
- como urubu em tronqueira.
- viúvo que se deu bem em casamento.
>>Mais afiada...
- que língua de sogra.
- que navalha de barbeiro caprichoso.
>>Alegre...
- como lambari de sanga.
- que nem paisano a meia-guampa.
>>Amarga...
- como erva caúna.
>>Mais amontoado...
- que uva em cacho.
>>Mais ansioso...
- que anão em comício.
>>Mais apertado...
- que queijo em cincha.
- que bombacha de fresco.
- que rato em guampa.
>>Mais apressado...
- que cavalo de carteiro.
>>Mais arisco...
- do que china que não quer dar.
>>Assanhado...
- como solteirona em festa de casamento.
- como lambari de sanga.
- como ganso novo em taipa de açude.
>>Mais assustado...
- que cachorro em canoa
- que cavalo passarinheiro.
- guri em cemitério
>>Mais atirado...
- que alpargata em cancha de bocha.
- capataz de estância grande
>>Mais atoa...
- que guri no mato.
>>Atrapalhado...
- que nem cego em tiroteio.
- que nem sapo em cancha de bocha.
- feito discurso de turco
>>Mais atrasado...
- que risada de surdo.
>>Babava...
- como boi com aftosa.
>>Tão baixinho...
- que quando peida levanta poeira do chão.
>>Baixo como...
- vôo de marreca choca.
- tamborete de china.
- umbigo de cobra.
- barriga de sapo.
>>De boca aberta...
- que nem burro que comeu urtiga.
>>Bom...
- como namoro no começo.
- como faca achada.
>>Bonita...
- que nem laranja de amostra.
>>Buliçoso...
- como mico de viúva.
- como gato de moça velha. Cara amarrada...
- como pacote de despacho.
>>Chato...
- como chinelo de gordo.
- como colchão de gordo
- que nem gilete caída em chão de banheiro.
>>Cheio...
- como corvo em carniça de vaca atolada.
- como penico em dia de baile.
- como barril de chopp em festa de crente.
- como bolsa de china.
- como mala de contrabandista.
>>Cheirando bem...
- como cogote de noiva.
>>Cobiçada...
- como anca de viúva nova e bonita.
>>Mais Colorida...
- do que bombacha de turco.
>>Mais comprido...
- que putiada de gago.
- que trova de gago.
- que esperança de pobre.
- que suspiro em velório.
- que cuspe de bêbado.
>>Mais conhecido...
- do que parteira de campanha.
- que feijão em cardápio de quartel
>>Mais constrangido...
- que padre em puteiro.
>>Contrariado...
- como gato a cabresto.
>>Coxuda...
- como leitoa no engorde.
>>Mais curto...
- que coice de porco.
- que estribo de anão.
>>Desconfiado...
- como cego que tem amante.
>>Devagarzito...
- como enterro de viúva rica.
>>Mais difícil...
- que nadar de poncho e dormir de espora sem rasgar lençol.
>>Dinheiro na mão de pobre é...
- como cuspe em ferro quente.
>>Dorme...
- atirado que nem lagarto.
>>Mais duro...
- que salame da colônia.
>>Engraxado
- que nem telefone de açougueiro.
>>Empacado...
- como burro de mascate.
>>Mais encolhido...
- que tripa grossa na brasa.
>>Enfeitado...
- como bidê de china.
- como bombacha de turco.
- como mula de mascate.
- como carroça de cigano.
- como quarto de china.
- como santo milagroso.
- como guaiaca de gringo.
>>Mais enrolada...
- que lingüiça de venda .
- que namoro de cobra.
>>Mais entravado...
- que carteira de sovina.
>>Esburacado...
- como poncho de calavêra.
>>Escasso...
- como pêlo em recavém de touro .
- como passarinho em zona de gringo.
>>Esfarrapado...
- que nem poncho de gaudério.
>>Esparramados...
- como dedos de pés que nunca entraram em botas.
- que pé de gringo.
>>Extraviado...
- que nem chinelo de bêbado.
>>Faceiro...
- que nem ganso novo em taipa de açude.
- como pica-pau em tronqueira.
- como mosca em tampa de xarope.
- como guri de tirador novo.
- como passarinho velho em gaiola nova.
- como lambari em poça d’água.
>>Mais fechado...
- que baú de solteirona.
>>Mais fedorento...
- que arroto de corvo.
>>Feia...
- como mulher de cego.
>>Mais feio...
- que indigestão de torresmo.
- que rodada de cusco em lançante.
- que briga de foice no escuro.
- que paraguaio baleado.
- briga de touro.
- facada na bunda
- tombo de mão no bolso.
- que sapato de padre.
>>Feliz...
- como pinto no lixo.
- como puta em dia de pagamento de quartel
- como milico em dia de soldo
>>Mais Fino
- do que assobio de papudo.
>>Firme...
- que nem palanque em banhado.
- que nem prego em taquara.
- como beliscão de ganso.
>>Folgada...
- como luva de maquinista, que qualquer um mete a mão.
- como peido em bombacha.
- como cama de viúva.
>>Mais por fora...
- que surdo em bingo.
- que cabelo de côco.
- que cotovelo de caminhoneiro.
>>Mais forte...
- do que peido de burro atolado.
- que porteiro de cabaré.
>>Frio...
- de empedrar água do poço.
>>Ganiçando...
- como cusco que levou água fervendo pelo lombo .
>>Mais gasto...
- que fundilho de tropeiro.
>>Gordo e lustroso...
- como gato de bolicheiro.
- como cusco de cozinheira.
>>Mais Gordo..
- que noivo de cozinheira.
>>Mais gostoso...
- que beijo de prima.
>>Mais grosso...
- que nem toco de açougue.
- que dedo destroncado.
- que parafuso de patrola.
- que papel de enrolar prego.
- que mandioca de dois anos.
- que rolha de poço.
>>Mais grudado...
- que bosta em tamanco de leiteiro.
>>Mais informado...
- que gerente de funerária.
- Alma inquieta ...
- como galho de sarandi tocado pelo vento.
>>Mais intrometido...
- que piolho na costura.
>>Judiado...
- como filhote de passarinho em mão de piá.
>>De alma leve...
- como um passarinho.
>>Mais ligeiro...
- que enterro de bexiguento.
>>Liso
- como sovaco de santo.
>>Louco...
- como galinha agarrada pelo rabo.
>>Mais magro...
- que guri com solitária.
>>Maldoso...
- como petiço de guri.
- que rato de igreja.
- que sorro de grota.
Mais medroso...
- que velha em canoa.
- que cascudo atravessando galinheiro.
>>Mais metido...
- que merda em chinelo de dedo.
- que dedo em nariz de piá.
>>Nervoso...
- como potro com mosca no ouvido.
- como gato em dia de faxina.
>>Mais nojento...
- que mocotó de ontem.
>>Pacensioso
- como gato de bolicheiro.
>>Parado
- que nem água de poço .
>>Mais perdido...
- que peido em bombacha.
- que cusco em procissão.
- que cego em tiroteio.
>>Perfumado...
- como mão de barbeiro.
>>Pior...
- que jacaré sem lagoa.
- que cusco que caiu do caminhão da mudança.
>>Quente...
- como frigideira sem cabo.
>>Rebola mais...
- que minhoca nas cinzas.
>>Sabido...
- como sorro velho.
>>Seca...
- como tiro de 12 cano-serrado.
>>Sério...
- que nem defunto.
- feito delegado em porta de baile.
- que nem guri cagado.
- como guri que examina galinha para ver se tem ovo.
>>Sincero...
- como vaca pro touro.
>>Sofrendo...
- como joelho de freira na Semana Santa.
>>Sólita...
- como galinha em gaiola de engorde.
>>Mais sujo que...
- pau de galinheiro.
>>Sutil...
- como gato que vai pegar passarinho.
>>Tradicional...
- como embalagem de Maisena.
- como fórmula de Minâncora.
>>Tranqüilo...
- que nem cozinheiro de hospício.
- como água de poço.
- como capincho em taipa de açude.
>>Mais vagaroso...
- que tropeiro de lesma.
>>Mais virado...
- que bolacha em boca de velha.
>>Mais à vontade...
- que bugio em mato de boa fruta.
>>Vivo...
- como cavalo de contrabandista.
>>Mais velho...
- que andar de pé.
>>mais apagado...
- que fogão de tapera
>>branco...
- comoaipim descascado
>>mais caro que...
- argentina nova na zona
>>cara amarrada...
- como pacote de despacho
>>chorão como..
- terneiro novo
>>doído...
- como guasqueaço em testa de negro, em comércio de carreira
>>se espalhou...
- como como pó de mangueira em pé de vento
>>falso feito..
- cobra engambelando sapo
>>firme...
- que nem palanque em banhado
- que nem prego em taquara
- feito prego em polenta
- como beliscão de ganso
>>leve feito...
- pisada de gato
>>mais medroso ...
- que velha em canoa
- que cascudo atravessando galinheiro
>>vermelho...
- feito pitanga madura
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Danças Gaúchas |
Os ritmos executados no baile devem ser originais que
preservem a autenticidade do folclore gaúcho de forte
influência histórica européia e latino-americana. Quanto
ao fandango antigo no Rio Grande do Sul as mais
populares são: anu, balaio, queromana, tatu e tirana. No
fandango atual são executados preferencialmente os
seguintes ritmos do folclore vigente: marchas, vaneras,
vanerões, xotes, milongas, rancheiras, polcas, valsas,
chamamés e bugios.
Os ritmos de fandango são musicalmente ricos e
variados permitindo evoluções belas e harmoniosas na
dança, cada ritmo dança-se de um jeito e cada ritmo tem
a sua característica própria de ser dançado. Sendo assim
recomenda-se que o conjunto musical de fandango execute
todos dos ritmos de forma variada e criteriosa sem
distorcer um determinado ritmo acelerando-o para um
efeito mais ágil e nem repetindo excessivamente o mesmo
ritmo musical caindo na mesmice ou ainda
descaracterizando-o quanto a sua forma original. Esses
ritmos apresentam as seguintes características
históricas:
“A Polonesa ou Polonesie é dança originária da Polônia
que foi mencionada após o ano de 1675. Essa dança de
conjunto teria se originado de uma marcha triunfal de
antigos guerreiros poloneses. Nas áreas de colonização
italiana e alemã, no Rio Grande do Sul, a Polonesie
continua sendo a dança solene de abertura de bailes ou
ponto culminante de festividades como: Festa do Rei do
Tiro e Kerbs”.
“No Brasil, teve origem nos blocos carnavalescos de rua,
pois além de peças musical e coreográfica relacionada
com o carnaval, o nome indica um dos passos do antigo 'Quicumbis'
(Dança de Igreja)”.
“Sua origem mais próxima vem das danças rústicas alpinas
(Austria), destacando-se o Lãndler. Do campo a
Valsa foi para as cidades, notabilizando-se,
inicialmente em Viena. Expandiu-se por toda a Europa,
porém, na França a Valsa assumiu feições próprias
(lenta, lânguida, sentimental). No Brasil a Valsa foi
cultivadíssima no século passado, desde o nível popular
até o erudito”.
“É uma versão nacionalizada da Mazurca (Dança de origem
polonesa) na Argentina, Brasil e Uruguai. ... No estilo
da fronteira dança-se a Rancheira bem marcada com batida
de todo o pé no chão, assemelhando-se assim os
movimentos dos pares a um valseado. O gaiteiro quando
toca segura mais a nota musical, dando mais extensão à
nota. Liga (Legatto = ritmo constante). ... Na
serra difere do estilo fronteiriço apenas na forma de
executar, pois dança-se bem rápido e puladinho com
acentuada marcação de todo o pé no tempo forte da música
(1º tempo). O gaiteiro serrano faz uma sequência com
interrupção da nota musical. (Stacatto = ritmo
alternado)”.
A Vanera, Vaneira ou ainda Havaneira tem origem na
Habanera, ritmo cubano com o nome em referência a
capital Havana (La Habana). É uma aculturação dos ritmos
afros pelos cubanos, entretanto exportadas aos salões
europeus especialmente os de Paris e Madri, foi dança de
sucesso muito apreciada, difundida e preferida por
compositores franceses e espanhóis. A Vaneira chegou no
Brasil por volta de 1866 influenciando ritmos como o
samba-canção brasileiro, e outros do fandango gaúcho
tais como o vanerão, o limpa-banco e o bugio.
No Rio Grande do Sul a Vanera é um ritmo musical de
andamento moderado, a coreografia é de dois passos para
um lado (pé esquerdo) e um passo para o outro lado (pé
direito), observando-se dois tempos musicais para ambos
os lados.
A Vanera conquistou um espaço privilegiado entre os
conjuntos musicais de fandango, sendo hoje, presença
marcante e obrigatória em qualquer baile tradicional,
praticamente sendo o ritmo básico do baile ou o mais
executado no evento.
Vanerão
“... é uma música de andamento rápido, mas com
acompanhamento e características típicas da Habanera”.
Bugio
O nome desse ritmo e os movimentos excecutados na
dança são inspirados em um tipo de macaco muito astuto e
popular que habita as regiões de matas no sul do país, o
bugio.
É um autêntico ritmo gaúcho, criado e desenvolvido
no Rio Grande do Sul, diferente dos demais que mesmo com
suas adaptações são das mais diversas origens
(geralmente européias). Não sabe-se ao certo mas, alguns
dissem que o bugio surgiu de um erro do gaiteiro, outros
dissem que foi da tentativa de imitar o ronco do bugio
usando o jogo de fole da gaita.
Era dança da ralé (camada inferior da sociedade)
comum nos bailes ´Bragados´ da região rural missioneira
e nos meretrícios, mas tornou-se bastante popular
passando a ser aceita até mesmo nas festas da alta
sociedade. Atualmente o Bugio tem grande aceitação no
meio tradicionalista e na maioria das festas populares
do Rio Grande do Sul especialmente nas regiões das
missões, no planalto médio e nos campos de cima da
serra, mas parece perder espaço entre grupos musicais,
mesmo sendo a dança de salão mais autêntica e gaúcha
entre todas as coreografias e ritmos executados no baile
tradicional.
A coreografia lembra os movimentos do macaco, dois
passos para cada lado, cada compasso é binário e
equivale a dois movimentos para cada lado, sendo que na
passagem do segundo para o terceiro movimento no momento
em que é dado o jogo de foles da gaita, os pares dão um
pulinho lateral.
Xote
“Segundo Baptista Siqueira, a Schottisch entrou
no Brasil no início da década de 1850, difundindo-se
pelo país. O nome da dança (é palavra alemã que
significa escocesa) é enganoso, pois conforme o
Grove´s Dictionary of Music and Musicians (5ª ed. 1955),
do ponto de vista moderno é que essa dança nada tem a
ver com a Escócia. É uma dança de procedência francesa
com nome escocês. O compasso do Schottisch é
binário ou quartenário e o andamento é rápido”.
Milonga
“Dança urbana de Buenos Aires, da mesma geração do
Tango, mas com melodia e ritmo brejeiro. O sentido do
termo provém da língua ”Bunda” da República dos
Camarões, (Melunga = palavra, o plural é
Milonga)”.
Chamamé
“Para o folclorista argentino Joaquim Lopez Flores, essa
dança correntina (Província de Corrientes) teria nascido
justamente da velha “Chimarrita” do Rio Grande do Sul
(introduzida pelos açorianos)”.
Polca
“Dança de compasso binário em andamento vivo,
originou-se no início do século passado, na Boêmia, fez
sucesso na França e difundiu-se daí para outros países,
inclusive o Brasil. Há vários tipos de modas
coreográficas que deram a denominação à Polca, One
Step, Polquinha, Limpa-banco, Arrasta-pé,
Gasta-sola, Serrote, Polca das Damas (a moça tira o
rapaz para dançar), Polca de Relação ou Meia Canha (os
pares dizem versos um para o outro)”.
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Criação da Carta de Princípios |
Bravos homens
idealizaram um movimento de extrema grandeza cultural, mas
não imaginavam que suas idéias fossem tão bem aceitas e
difundidas rapidamente, que o fizesse grandioso também em
número. Isto nada mais fez do que confirmar quão glorioso
foi esta idealização. Todo crescimento rápido pode ter
conseqüências desastrosas. Além disso, o governo e o
exército tinham naquele grupo de jovens certa desconfiança,
pois exaltavam a Revolução Farroupilha, seus mentores e
conseqüentemente o “20 de setembro”, levando os poderes
constituídos a conclusões que pendiam para o lado
revolucionário e separatista.
Foi
então que Glaucus Saraiva, considerado extremamente
inteligente e com a mente de certa forma avançada para a
época, se sensibilizou e, por ser muito reservado, fez de
forma solitária um documento que, depois de concluído, foi
apresentado como sugestão a ser seguido pelos
tradicionalistas.
Tal documento
foi de extrema importância, fazendo com que o exército o
enxergasse com outros olhos, percebendo que o movimento
queria andar lado a lado com os governantes. O Conselho
Coordenador reconhecendo sua importância para o bom
prosseguimento do movimento, decidiu oficializar a Carta de
Princípios, que foi aprovada no 8º Congresso
Tradicionalista, realizado na cidade de Taquara, de 20 à 23
de outubro de 1961, no CTG Fogão de Chão. A partir deste
momento ela começou a ser vista como uma lei a ser cumprida,
causando uma certa revolta nos gaúchos, que não aceitavam
ser mandados, defendendo a idéia de que gaúcho é macho, não
recebe ordens de ninguém e é dono de suas próprias razões.
Dentro do movimento, seus efeitos foram para nortear um rumo
a ser seguido, pois na época o que prevalecia eram as
contradições, onde cada CTG procurava inclinar-se para seu
lado, fazendo com que não existisse unanimidade.
Para
o bom funcionamento era necessário e de fundamental
importância, um perfeito conhecimento e interpretação da
mesma.
Aos
poucos os gaúchos foram aceitando-a e começaram a perceber
que ela só ajudaria o movimento a crescer e que seu objetivo
não era obrigar e sim orientar. Hoje essa carta integra o
Regulamento do Estatuto do MTG e é a primeira diretriz
aprovada no tradicionalismo. Até os dias de hoje a Carta de
Princípios continua, de um certo modo, de conhecimento
restrito dentro do movimento, tendo este prospecto sofrido
sensíveis alterações nos últimos anos, devido a
importância dada pelo MTG, fazendo dela assunto de trabalhos
realizados, como este de hoje.
Seguindo as
palavras do Senhor Ciro Dutra Ferreira e Vilson de Souza,
na época de sua criação um dos objetivos mais importantes
foi o art. XI, que trata do respeito as leis e os poderes
públicos legalmente constituídos, que fez com que o exército
e o governo vissem com outros olhos aquele grupo de jovens.
E o mais importante nos dias de hoje é o art. XXIX que
valoriza e exalta o homem do campo. E dentro deste item
salientou a importância do surgimento dos laçadores
urbanos, como exemplo, que trazem para a cidade uma parte da
realidade da vida rural.
Em poucas
palavras podemos destacar como conclusão final que, através
da difusão e preservação da nossa cultura e de nossos
valores morais, temos a possibilidade de dar base a uma
sociedade harmônica, colaborando assim com o bem coletivo, o
progresso e a evolução de um povo que tem como ideal os
princípios de
Liberdade, Igualdade e
Humanidade.
|
Danças Gaúchas, suas histórias e origens |
Búgio |
Tem sua origem reclamada por dois
municípios, que tratam de divulgá-lo através
de seus festivais: São Francisco de Assis
(fronteira oeste) e São Francisco de Paula
(região serrana) se consideram pais do
Bugio. O processo de criação do Bugio foi
inspirado no "ronco" do bugio, macaco que
habita nossas matas, correndo sério risco de
ser extinto. Da imitação desse ronco
reproduzido pelo acordeon foi criado um novo
ritmo que teria em São Chico de Assis, São
Chico de Paula e de toda a região serrana um
solo fértil para seu desenvolvimento. A
maneira de dançar o Bugio também é inspirada
nos movimentos desse macaco. |
Chamamé |
Chegou no Brasil pelo Rio Uruguai e sendo
difundida pelas rádios argentinas no
interior do Rio Grande do Sul, dando a
conhecer valores como Ernesto Montiel e
Tarragó Ros (pai) e muitas outras "legendas
do Chamamé". Na realidade "el Chamamé" foi
um feliz "contrabando" que chegou para fazer
parte de nossa cultura. A interpretação do
chamamé pode ser a solo ou em duo, sendo
essa modalidade vocal mais apreciada.
Podendo ser dançado aos pares ou sapateado
em sua origem, o chamamé no Rio Grande do
Sul se diferenciou na maneira que os
bailadores daqui deram a este ritmo.
Importante ressaltar é a versatilidade deste
gênero, que vai desde um calmo chamamé-
canção em tom maior ou menor, a um chamamé
bem bagual em andamento bastante rápido
quase uma polca. Vinculado ao chamamé está
essa manifestação denominada "Sapukay" que
nada mais é que o grito dado espontaneamente
pelos chamameceros no momento em que lhes dá
gana ou no final de cada tema. |
Chamarrita |
É um ritmo de origem açoriana e madeirense
(arquipélagos portugueses no Atlântico). É
executado em tom maior, com raras exceções
em tom menor. A Chamarrita está entre o
ritmos comuns às três pátria gaúchas:
Argentina, Uruguay e Brasil. No Rio Grande
do Sul, a Chamarrita está bastante
identificada com costumes e temáticas
campeiros. Além da Chamarrita mais
galponeira, temos as versões mais executadas
pelos conjuntos de baile, adaptadas a um
ritmo mais bailável. A Chamarrita também é
conhecida como Chamarra ou Chimarrita.
|
Milonga
Arrabalera |
Como o próprio nome diz: Milonga del "Arrabal"
(urbana). Esta é a Milonga que mudou-se do
campo para cidade, transformando-se em
baile, muito apreciada nos bailes
riograndenses. Por ser uma milonga de origem
urbana, a temática estende-se desde o campo
até a cidade, falando de temas de amor e
cotidiano. A execução ao violão, já não é
arpejada como a Milonga mas rasgueada como
no Tango dando assim um ar mais bailável.
Milonga "Milonga ritmo que pulsa no coração
do Pampa. A palavra Milonga é de origem
Bantú (povo que se localiza entre o Congo,
parte da Angola e Zaire). Na África
designa-se "Milongo" como um feitiço de
amor, que as moças utilizam para atrair seus
pretendentes. Costuma-se dizer: - Essa
menina me fez um Milongo! A apresentação da
Milonga em versos é feita de várias
maneiras, sendo elas em quartetos,
sextilhas, oitavas e décimas. Voltando à
origem do ritmo da milonga nos deparamos com
a célula rítmica encontrada em Cuba na "Contradanza
Francesa", na "Danza Cubana" e na "Habanera".
A mesma célula rítmica também chamada "Ritmo
de Tango" ou "Tango Congo". |
Rancheira |
Este ritmo bem crioulo (autêntico) em
compasso 3/4 encontra paralelo em vários
outros gêneros Latino Americanos deste
estilo, tais como o "Pericón" uruguaio ou o
"Joropo" venezuelano. Outra característica
que o aproxima da América Hispânica é o
"Sapateado" que é uma das maneiras de se
dançar a Rancheira. A maneira mais comum de
se dançar a Rancheira é a marcação dos pares
do ritmo como pequenos pulinhos ou
"puladinho". Outra modalidade bastante
apreciada pelos bailadores á a Rancheira de
Carrerinha em que os pares alinhados
executam várias coreografias em momento de
grande descontração. Como em outros gêneros
bailáveis do RGS a gaita (acordeon, cordeona)
tem papel de destaque, sendo a solista
principal e contando coma participação do
violão ou gaita a meio do tema. |
Rasguido
Doble |
Juntamente com o Chamamé, o Rasguido Doble é
outro gênero que nos vem "contrabandeado" do
litoral argentino, toda essa região
compreendida entre os rios Uruguai e Paraná
abrangendo províncias como Corrientes,
Missiones e Santa Fé. O Rasguido Doble é um
gênero bem diversificado. Pode ser executado
de maneira bem cadenciada deixando a melodia
fluir lentamente ou mais ligeiro. O nome
Rasguido refere-se ao "rasgueado" violão que
vai dar o acompanhamento necessário para sua
parceria, a cordeona (acordeon), soltar-se
em inspiradas melodias e acordes, sendo o
Rasguido Doble cantado ou instrumental. Os
principais responsáveis por trazerem este
ritmo musical para as terras Riograndenses
foram o missioneiros, cantores e
guitarreirros como Noel Guarany, Cenair
Maicá e Luís Carlos Borges, que sempre
incluíram em seus repertórios vários
Rasguidos como "El Rancho y la Cabicha", "Puente
Pexoa" e "El Cosechero", este último do
criativo compositor Rámon Ayala, da
província de Missiones. |
Vanera |
A origem da Vanera é no ritmo cubano
Habanera, que é como era grafado o ritmo. Da
Habanera para atual Vanera, várias
modificações foram feitas, na grafia e no
andamento bem mais rápido, para se tornar
bailável. Ao longo de mais de três décadas,
os conjuntos de baile gaúchos (fandangos)
vêm desenvolvendo com sua experiência e
criatividade vários padrões rítmicos em seus
instrumentos típicos: acordeon, guitarra,
baixo, bateria e pandeiro. Quer em suas
apresentações ao vivo ou em suas gravações.
A Vanera conquistou um espaço privilegiado
nos bailes gaúchos, sendo hoje, presença
marcante e obrigatória em qualquer Fandango
que se preze. |
Vanerão |
Também conhecido como limpa banco, tem o
andamento mais rápido do que a Vanera. O
Vanerão presta-se para o virtuosísmo do
gaiteiro de gaita piano ou botonera (voz
trocada), sendo assim muitas vezes um tema
instrumental. Quanto a forma musical, o
vanerão pode ser construído em três partes
(rondó), utilizado em ritmos tradicionais
brasileiros como o choro e a valsa. Quando
cantado, dependendo do andamento e da
divisão rítmica da melodia, exige boa e
rápida dicção por parte dos intérpretes. O
Vanerão com sua vivacidade exige bastante
energia, tantos dos músicos, como dos
bailadores de fandango. |
Xote |
O Xote gaúcho tem origem no 'schotis'
europeu e sofreu aqui algumas mudanças que
são naturais a qualquer manifestação
cultural que tenha migrado de um continente
a outro com características distintas, porém
sem perder a essência de seu precursor
europeu dotado de inspiradas melodias. É um
dos poucos ritmos de andamento quaternário
que se tem aqui no RGS, sendo que a melodia
está em divisão de colcheias pode em certas
partes dobrar para semi colcheias, o que
serve para os executantes demonstrarem todo
seu virtuosismo, principalmente o acordeon,
o violão ou guitarra. Por seu andamento
médio, o xote dá condições a que os pares
dancem de maneira figurada realizando as
mais variadas coreografias. O Xote com sua
vivacidade e alegria é um gênero, cantado ou
instrumental indispensável nos bailes
gaúchos. |
Dança dos
Facões |
Danças de esgrima, em que, ao invés de
porretes ou bastões, se usam espadas ou
facas de verdade, são registradas na Ásia,
na Europa Oriental, na África muçulmana, em
regiões onde se encontram aglomerados
predominantemente masculinos. Cada dançarino
mune-se de dois facões, afiados, e as
evoluções exigem destreza, acuidade,
reflexos rápidos.
|
Chula |
A Chula Dança muito difundida em Portugal e
também dançada pelos Açorianos. A Chula
caracteriza-se pela agilidade do sapateio do
peão ou diversos peões, em disputas,
sapateando sobre uma lança estendida no
salão. A chula era dançada apenas por homens
e sempre em desafio. Citada como espécie de
jogo típico dos gaúchos por Nicolau Dreys em
seu livro "A notícia descritiva da Província
do Rio Grande de São Pedro do Sul" é,
provavelmente, originária do Minho e do
Douro, do folclore português, embora alguns
estudiosos relacionem-na com o Lundú ou o
Baião, com relação à música.
A chula tradicional era dançada da seguinte
forma: Dois dançarinos ficavam frente a
frente tendo entre si uma lança de quatro
metros de comprimento. Um dos oponentes
executava uma seqüência de difíceis passos
coreográficos indo até a extremidade oposta
da lança e retornando ao seu lugar de
origem. Ao segundo oponente cabia, então,
repetir o passo do primeiro e fazer um mais
difícil, ao que o seu oponente deveria
proceder da mesma forma. Perdia a disputa
aquele que saísse do ritmo, errasse o passo,
perdesse o ritmo ou chutasse a lança.
Ultimamente suas regras foram modificadas,
adaptando a chula aos campeonatos regionais,
os rodeios, mas a idéia de criatividade e
difícil execução dos passos como objetivo da
disputa foi mantida, o que a tem tornado o
concurso individual mais procurado do meio
tradicionalista. |
Malambo |
O malambo é, assim como a chula, uma dança
de desafio, proveniente de nossos irmãos
gaúchos platinos. Existem diversos tipos de
malambo, de acordo com a região platina em
questão. Os mais conhecidos entre nós são o
Norteño, com passos curtos e música dividida
em seções de quatro compassos musicais e o
Sudeño, com passos alternados um pouco mais
longos e outros tão breves quanto os do
Norteño. Para quem dança, o famoso
papito-pá-pá" define muito bem esse estilo
de malambo quanto ao ritmo.
Existem variantes dos mais diversos tipos
para o malambo, sendo que uma das mais
engraçadas aos olhos do público e ao mesmo
tempo uma das de mais difícil execução é a
simulação da doma pelo peão, onde este finge
estar montando "em pêlo" um cavalo bravio,
ou caballo cimarrone, e tem que se manter em
cima do lombo do animal durante seu corcovo.
Quanto mais agitar os braços durante a
execução dos passos, maior a habilidade do
"domador" em vencer o animal. Mas é claro
que essa é apenas uma das variantes
existentes para a dança do malambo. O
malambo está presente em nosso meio
tradicionalista sob a forma de apresentações
de alguns grupos de dança, uma vez que não
existem concursos dessa modalidade nos
rodeios e festivais dos gaúchos
Rio-grandenses, pelo menos por enquanto,
pois a cada dia, têm sido mais incorporado
ao nosso folclore, por sermos de uma cultura
irmã proveniente. |
|
Carta de Princípios do Movimento Tradicionalista Gaúcho |
I.
Auxiliar o Estado na solução dos seus problemas
fundamentais e na conquista do bem coletivo;
II. Cultivar e difundir nossa História, nossa
formação social, nosso folclore, enfim, nossa
Tradição, como substância basilar da nacionalidade;
III. Promover, no meio de nosso povo, uma retomada
de consciência dos valores morais do Gaúcho;
IV. Facilitar e cooperar com a evolução e o
progresso, buscando a harmonia social, criando a
consciência do valor coletivo, combatendo o
enfraquecimento da cultura comum e a desagregação
que daí resulta;
V. Criar barreiras aos fatores e idéias que nos vêm
pelos veículos normais de propaganda e que sejam
diametralmente opostos ou antagônicos aos costumes e
pendores naturais do nosso povo;
VI. Preservar nosso patrimônio sociológico
representado, principalmente, pelo linguajar,
vestimenta, arte culinária, formas de lides e artes
populares;
VII. Fazer de cada CTG um núcleo transmissor da
herança social e através da prática e divulgação de
hábitos locais, noção dos valores, princípios
locais, reações emocionais, etc.; criar em nossos
grupos sociais uma unidade psicológica, com modos de
agir e de pensar coletivamente, valorizando e
ajustando o homem ao meio, para a reação em conjunto
frente aos problemas comuns;
VIII. Estimular e incentivar o processo aculturativo
do elemento imigrante e seus dependentes;
IX. Lutar pelos direitos humanos de Liberdade,
Igualdade, e Humanidade;
X. Respeita e fazer respeitar seus postulados
iniciais, que tem como característica essencial a
absoluta independência de sectarismo político,
religioso e racial;
XI. Acatar e respeitar as leis e os poderes públicos
legalmente constituídos, enquanto se mantiverem
dentro dos princípios e do regime democrático
vigente;
XII. Evitar todas as formas de vaidade e
personalismo que buscam no Movimento Tradicionalista
veículo para projeção em proveito próprio;
XIII. Evitar toda e qualquer manifestação individual
ou coletiva, movida por interesses subterrâneos de
natureza política, religiosa ou financeira;
XIV. Evitar que os núcleos tradicionalistas adotem
nomes de pessoas vivas;
XV. Repudiar todas as manifestações e formas de
exploração direta e indireta do Movimento
Tradicionalista;
XVI. Prestigiar e estimular quaisquer iniciativas
que, sincera e honestamente, queiram perseguir
objetivos correlatos com os do Tradicionalismo;
XVII. Incentivar em todas as formas de divulgação e
propaganda, o uso sadio dos autênticos motivos
regionais;
XVIII. Influir na literatura, artes clássicas e
populares e outras formas de expressão espiritual de
nossa gente, no sentido de que se voltem para os
temas nativistas;
XIX. Zelar pela pureza e fidelidade dos nossos
costumes autênticos, combatendo todas as
manifestações individuais ou coletivas, que
artificializem ou descaracterizem as nossas coisas
tradicionais;
XX. Estimular e amparar as células que fazem parte
de seu organismo social;
XXI. Procurar penetrar e atuar nas instituições
públicas e privadas, principalmente nos colégios e
no seio do povo, buscando conquistar para o
Movimento Tradicionalista Gaúcho a boa vontade e
participação dos representantes de todas as classes
e profissões dignas;
XXII. Comemorar e respeitar as datas efemérides e
vultos nacionais e particularmente o 20 de setembro,
como data máxima do Rio Grande do Sul;
XXIII. Lutar para que seja instituído, oficialmente,
o Dia do Gaúcho, em paridade de condições com o Dia
do Colono e outros "Dias" respeitados publicamente;
XXIV. Pugnar pela independência psicológica e
ideológica de nosso povo;
XXV. Revalidar e reafirmar os valores fundamentais
da nossa formação, apontando às novas gerações rumos
definidos de cultura, civismo e nacionalidade;
XXVI. Procurar o despertar da consciência para o
espírito cívico de unidade e amor à Pátria;
XXVII. Pugnar pela fraternidade e maior aproximação
dos povos americanos;
XXVIII. Buscar, finalmente, a conquista de um
estágio de força social que lhe dê ressonância nos
Poderes Públicos e nas Classes Riograndenses, para
atuar real, poderosa e eficientemente, no
levantamento dos padrões morais e de vida de nosso
Estado, rumando, fortalecido, para o campo e o homem
rural, suas raízes primordiais, cumprindo, assim,
sua destinação histórica em nossa Pátria.
|
Manual das Danças de Fandango Gaúchas |
Cada época e cada povo só dança as danças que
refletem seu espírito. O espírito das danças gaúchas é o
espírito do lar, da fidalguia e de respeito à mulher.
Através da danças o gaúcho extravasa toda a sua teatralidade
e desenvolve sua identidade espiritual.
As danças a seguir apresentadas são gaúchas não porque
tivessem se originado inteiramente no ambiente campeiro, mas
porque o gaúcho recebendo-as de onde quer que fosse, lhes
deu música, detalhes, colorido e alma nativa.
: : Giro
ou Giro-Saudação : :
Após o rapaz convidar a moça para
dançar, oferecendo-lhe um lenço ou sua mão, ele a conduz até
o lugar onde iniciarão a dança.
Chama-se giro-saudação ou, simplesmente, giro, o ato
pelo qual a moça, tomada pela mão direita de seu
companheiro, realiza uma volta inteira em torno do próprio
corpo ( girando sobre a ponta do pé esquerdo ou executando
passos ), sob o braço esquerdo.
No preciso momento em que a moça completa a volta, o
par solta-se das mãos e efetua um respeitoso cumprimento: a
mulher realiza uma pequena flexão de joelhos e o homem
inclina levemente a cabeça ao mesmo tempo que torna a
guardar, entre o cinto e a camisa, o pequeno lenço utilizado
para convidar sua companheira para a dança.
: :
Marcha : :
A marcha assim como o samba foram produtos do carnaval.
Segundo Paixão Côrtes e Barbosa Lessa em sua obra "Danças e
Andanças da Tradição Gaúcha " diz o seguinte: "Marcha além
de peça musical e coreográfica relacionada com o carnaval
(marchinha carnavalesca) o nome indica um dos passos do
antigo Quicumbis".
Os Passos de Marcha são basicamente 1 e 1 e são dados
alternadamente, com um pé e outro, um passo para cada tempo
da música, como se o dançarino marchasse ou caminhasse.
Podem ser dados para a frente, para trás ou em curva. Quando
pequenos passos de marcha são dados em curva quase no mesmo
lugar, fecham um giro.
: : Polca
: :
Esta dança européia, proveniente da Boêmia, tornou-se famosa
e dominou os salões na segunda metade do século XIX. No Rio
Grande do Sul era tipicamente tocada com o acordeom e serviu
para dançar vários tipos de modas coreográficas, entre elas:
Polquinha, Limpa-banco, Arrasta-pé, Polca das damas,
Polca das cadeiras, Polca do bastão, Polca de relação ou
meia canha.
O passos da polca podem ser dirigidos para frente e para
trás, para os lados, em curva ou em diagonal.
A única característica de sua execução é a pausa entre
um passo-de-polca e outro passo-de-polca.
: : Rancheira : :
Derivada da Mazurca, é uma dança Polaca que chegou à França
no século XIX, lá ganhou algumas características e assim
chegou ao Brasil, Argentina e Uruguai. No Rio Grande do Sul,
em certas regiões a Rancheira é denominada "Terol", mas não
há diferença musical entre as duas.
Os Passos de Rancheira são compostos de dois
passos-de-juntar, um para a esquerda e outro para a direita.
Passo-de-juntar
- para a esquerda: pé esquerdo dá um passo para a diagonal
esquerda e o pé direito vem se juntar a ele.
- para a direita: pé direito dá um passo para a diagonal
direita e o pé esquerdo vem se juntar a ele.
No final do passo-de-juntar à esquerda faz-se uma marcação
no lugar, de toda planta do pé que primeiro se afastou e a
seguir faz-se o novo passo-de-juntar `a direita com nova
marcação.
E assim sucessivamente.
Um passo de Rancheira corresponde a seis movimentos.
RANCHEIRA DA FRONTEIRA
Dança-se a rancheira com passos bem marcados, isto é, a
marcação é feita com forte batida de toda planta do pé e
isso faz com que o corpo gingue de um lado para o outro.
RANCHEIRA DO LITORAL
Dança-se o Terol, com passos rápidos e largos: uma
série de passos para a frente e uma série de passos para
trás. É dançado puladinho, bem rápido e faz-se a marcação
com forte batida de toda planta do pé.
Tem-se a impressão de que o peão está empurrando
violentamente a prenda e de que esta, em seguida, passa a
empurrá-lo.
Obs.: Durante a execução da dança, os peões podem vir a
sapatear.
: : Chote : :
Trazido pelos imigrantes alemães (1824), o "schottisch" ,
enraizou-se no Brasil, por volta de 1850, juntamente com a
Polca e a Valsa. Em Paris abriu caminho para a renovação da
danças de pares enlaçados. Nota-se em seu ritmo um certo
parentesco com o da Polca, mas um pouco mais lento. O Chote
coincidiu com a difusão da gaita como instrumento musical e
se tornou a dança de pares enlaçados preferida do gaúcho,
podendo também ser dançado "se largando" em chotes
afigurado.
CHOTE TRADICIONAL
F az-se através de três movimentos iniciados com o pé
esquerdo (primeiro movimento), que é dado em dois tempos da
música (um compasso), portanto um pouco lento e largo, os
segundos e terceiros movimentos são efetuados um para cada
tempo da música, sendo assim mais rápidos e curtos, dentro
do ritmo do Chote.
CHOTE AFIGURADO
O peão alcança sua mão direita à mão esquerda da
prenda, sendo que os dois estão postos face a face.
Peão realiza 3 passos de marcha para a esquerda,
movimento de ida e o quarto passo fica elevado no ar. (peão
e prenda podem realizar uma batida de pé no chão, mas este
logo deverá se elevar, não terão o peso do corpo, pausa
musical). O movimento de retorno é iniciado pelo pé que está
elevado (quarto movimento), repetindo a mesma marcação da
ida.
A figura do chote afigurado é feita ao se iniciar a nova
marcação para a esquerda do peão. O número de figuras que
podem ser executadas é praticamente infinito, dependendo da
criatividade dos dançarinos.
: : Vaneira : :
Tem sua origem na habanera, ritmo dançado pelos negros de
Cuba e Haiti. Foi exportada para a Espanha e de lá veio para
o Brasil, fazendo muito sucesso depois da Polca, Chote e da
Mazurca.
No Rio Grande do Sul, chamou-se Vaneira e com alterações de
andamento na execução, surgem diversas variantes: vaneirão,
vaneirinha, vaneira grossa...
É dançada uma pouco mais rápido que o chotes e mais
lenta do que a vaneirinha e o vaneirão.
Os movimentos dos passos de vaneira são idênticos ao do
chote tradicional, cujos pares dançam enlaçados e não
fazendo as figuras.
: : Vaneirinha : :
É uma variante da vaneira criada pelos gaiteros
riograndenses.
Seu ritmo é executado um pouco mais rápido que a vaneira e
mais lento que o vaneirão.
Os passos da vaneirinha são idênticos aos da vaneira,
dançados um pouco mais rápidos.
: : Vaneirão : :
É uma variante da vaneira. Sua
música é executada num rítmo rápido que é o que o distingue
da vaneira e da vaneirinha.
Os passos de vaneirão sãoiguais aos passos da vaneira,
apenas com andamento mais rápido.
: : Bugio : :
O Bugio é essencialmente brasileiro. Nasceu no Rio Grande do
Sul, nos braços do gaiteiro Wenceslau da Silva Gomes,
conhecido como Neneca Gomes, nas serras do Mato Grande,
distrito de São Francisco de Assis em 1928. Neneca com uma
gaita de botão começou a imitar o som emitido por um macaco,
conhecido como bugio. Nasceu o ronco do bugio.
O tema desenvolveu-se mais em função da dança, tendo
por inspiração o caminhar do Bugio. Foi considerada como
dança de pessoas de baixo nível.
Hoje, seccionadas os aspectos sensuais, é muito executada
nos bailes tradicionalistas.
O Bugio foi incorporado ao repertório musical do Rio
Grande do Sul e teve inúmeras gravações, sendo que em 1955
os Irmãos Bertussi levaram o primeiro Bugio ao disco,
gravando "o casamento da Doralícia".
Quanto aos passos do Bugio, sua movimentação é idêntica a da
vaneira. A diferença está na passagem do segundo para o
terceiro movimento do passo, onde os dançarinos dão um
pulinho e tiram os dois pés do chão.
Este movimento se dá justamente quando ocorre a puxada
característica do Bugio que é o jogo que o gaiteiro faz na
baixaria e com o fole da gaita, tirando um som que lembra o
ronco do bugio. O bugio é dançado meio de lado, imitando o
caminhar típico desta espécie de macaco.
: : Milonga : :
Ritmo de origem provavelmente africana, com passagem pela
Espanha. Há registros de seu aparecimento, na Argentina, por
volta de 1870, sendo que popularizou-se também no Uruguai e
Rio Grande do Sul, desrespeitando fronteiras. Caracteriza-se
pela marcação no terceiro tempo da música.
Seu ritmo assemelha-se ao tango argentino.
Passos de milonga: conhecido normalmente como o 2 e 1.
O pé esquerdo avança para o lado
esquerdo, tocando o solo (um passo).
O pé direito avança para se juntar ao pé esquerdo,
tocando o solo (um passo).
O pé esquerdo avança para o lado esquerdo, tocando o
solo (um passo).
Pausa, durante a qual o pé direito faz a marcação,
avançando para o lado direito e dando um passo. E assim
sucessivamente.
: : Chamamé : :
A polca européia sofreu modificações nos países do Prata (em
especial na Argentina), passando a Ter compasso ternário e
andamento mais lento. Com o passar do tempo, chamou-se
"polca correntina" e após recebeu o nome guarani - chamamé -
que significa "improvisação".
O chamamé faz parte do grupo das danças de pares enlaçados,
no Rio Grande do Sul foi ganhando forma, moldando-se através
dos tempos.
Os Passos do chamamé se assemelham ao passo de polca e de
rancheira, apenas num ritmo um pouco mais lento.
: : Valsa : :
Originada das danças rústicas Alpinas da Áustria; foi
soberana na Europa. A valsa veio abrir caminho para uma
última geração coreográfica, que chegou até nossos dias: as
danças de pares enlaçados.
Há uma hipótese de que a valsa brasileira sofreu influência
da valsa francesa, ganhando aqui feições próprias.
Tradicional: é formado por dois passos-de-juntar, dados num
sentido e noutro, alternadamente. Um passo de valsa é
composto de quatro movimentos, dados para um e outro lado,
mas na sua forma tradicional faz-se em giro ou em curva.
Clássico: é executado mediante três movimentos, sempre em
giro, para um lado e outro. São feitos três passos em três
tempos musicais, um para cada tempo.
Campeiro: na sua execução são utilizados os dois passos
acima descritos. Seu andamento é mais rápido e a sua
movimentação pode ser para a frente, para trás, no lugar e
em giros para um lado e outro.
Fonte:
Apostila da Academia de Danças Gaúchas Calhandra de Ouro
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Ave-Maria do Peão |
Ao reponte do sol que
descamba, o dia se aprochega do arremate
pelos campos e nos matos da
querência, no revoar da bicharada voltando aos ninhos é hora
de recolhimento.
No rancho que há no interior
de mim mesmo, eu, gaúcho de fé, me arrincono e medito.
Despindo o poncho da vaidade
e do orgulho, tiro o chapéu, apago o pito
e me achego pra uma prosa com
o patrão maior.
Na sua presença meu sangue
quente de farrapo se faz manso caudal.
Entrego-lhe minha alma,
afoita de alcançar lonjuras e abrir cancha em busca do
destino.
Renuncio a minha xucra
rebeldia e me faço doce de volta e macio de tranco para
dizer-lhe:
Gracias patrão por tudo que
me deste, por esta querência Senhor,
que meus ancestrais regaram
com seu sangue, e que aprendi a amar desde já.
Pelos meus parceiros desta
ronda da vida sempre de prontidão para me amadrinharem
na campereada mais custosa ou
para matearem comigo na hora do sossego.
Reparte com eles, patrão,
esta fé que me deste e este orgulho pela minha querência,
ajuda patrão a manter acesa
esta chama, concede sempre ao gaúcho a força no braço
e o tino prá saber o que é
correto.
Dá-nos consciência para
preservar a nossa cultura livre da invasão dos modismos,
conserve a essência e a
beleza da nossa tradição.
E agora, com licença patrão,
que vou aproveitar a olada para um dedo de prosa com Nossa
Senhora.
Ave Maria, primeira prenda do
céu, contigo está o Senhor,
na estância maior tu és
bendita entre todas as prendas
e bendito é o piá que
trouxeste ao mundo... Jesus.
Maria, mãe de Deus e mãe de
todos nós,
roga pela querência e pelos
gaudérios que aqui moram,
nesta hora e no instante da
última cavalgada.
Amém!!!
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